No Inverno os pássaros têm dificuldades em saber o que está no alto
Caeiro, também aqui, é o mestre. Este blogue é mantido por Possidónio Cachapa e todos os que acham por bem participar. A blogar desde 2003.
29 de fevereiro de 2004
CAN YOU PLEASE TAKE MY FREEDOM?
Hoje, sábado ao fim da tarde, calcei os ténis, embrulhei-me no cachecol, meti o passe da carris no bolso e fui, sem agenda, ao cinema. De cara ao vento, sem querer saber so horários das sessões ou da distância do percurso.
3 horas depois estava de regresso, enregelado, com uma refeição de fast food e um filme com a Diane Keaton no bucho.
Nem sempre a liberdade nos cai bem no estômago...
Hoje, sábado ao fim da tarde, calcei os ténis, embrulhei-me no cachecol, meti o passe da carris no bolso e fui, sem agenda, ao cinema. De cara ao vento, sem querer saber so horários das sessões ou da distância do percurso.
3 horas depois estava de regresso, enregelado, com uma refeição de fast food e um filme com a Diane Keaton no bucho.
Nem sempre a liberdade nos cai bem no estômago...
NÃO SE MEXAM NÃO
A direita conservadora já conseguiu reunir 125000 assinaturas para boicotar qualquer alteração à lei que espeta com as mulheres na cadeia. Entre os mais assanhados contam-se homens, padres, freiras e velhas para lá da menopausa. Os mesmos que votaram religiosamente no referendo. E eu que julgava que isto era um assunto que dizia respeito à consciência das mulheres em idade de engravidar.
Santa ingenuidade. A minha.
A direita conservadora já conseguiu reunir 125000 assinaturas para boicotar qualquer alteração à lei que espeta com as mulheres na cadeia. Entre os mais assanhados contam-se homens, padres, freiras e velhas para lá da menopausa. Os mesmos que votaram religiosamente no referendo. E eu que julgava que isto era um assunto que dizia respeito à consciência das mulheres em idade de engravidar.
Santa ingenuidade. A minha.
LIVROS
Hoje voltou a acontecer-me. Entrei numa livraria e vi uma profusão de livros com capas boas ou bastante razoáveis, a dimensão certa para nos prometer muitas horas de prazer e, surpresa das surpresas, primeiras páginas bem escritas, claras e límpidas. Tive vontade de comprar uma quantidade insensata deles. O que é bom sinal.
Sei que é um disparate, mas por um momento acreditei que o meu país se tinha reconciliado com a leitura...
Hoje voltou a acontecer-me. Entrei numa livraria e vi uma profusão de livros com capas boas ou bastante razoáveis, a dimensão certa para nos prometer muitas horas de prazer e, surpresa das surpresas, primeiras páginas bem escritas, claras e límpidas. Tive vontade de comprar uma quantidade insensata deles. O que é bom sinal.
Sei que é um disparate, mas por um momento acreditei que o meu país se tinha reconciliado com a leitura...
26 de fevereiro de 2004
O COMPRIMIDINHO
Isto estava a ir tão bem, antigamente. Os laboratórios compravam quantos médicos quisessem, a venda de medicamentos era um negócio tão chorudo que existe uma entidade que diz quantas é que são rentáveis em cada área (trespasses que atingem o milhão de contos, nalguns casos), nós pagávamos as nossas caixinhas de 1600 comprimidos para a dor de cabeça... Enfim, era o paraíso. Agora lembraram-se de ir levantar a lebre, de começar a falar em genéricos. A Ordem dos Médicos bem tem tentado que os seu ordenados (por assim dizer) não estraguem os seus contratos com as Báieres deste mundo e receitem apenas coisinhas de marca. Mas fica-se com a ideia que o negócio já viu melhores dias. Vieram hoje para a imprensa acusar-se mutuamente.
Alguém que reúna o pessoal das respectivas ordens, associações do sector e administradores de laboratórios e lhes lembre que o ditado "zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades" ainda acaba por se lhes aplicar...
Isto estava a ir tão bem, antigamente. Os laboratórios compravam quantos médicos quisessem, a venda de medicamentos era um negócio tão chorudo que existe uma entidade que diz quantas é que são rentáveis em cada área (trespasses que atingem o milhão de contos, nalguns casos), nós pagávamos as nossas caixinhas de 1600 comprimidos para a dor de cabeça... Enfim, era o paraíso. Agora lembraram-se de ir levantar a lebre, de começar a falar em genéricos. A Ordem dos Médicos bem tem tentado que os seu ordenados (por assim dizer) não estraguem os seus contratos com as Báieres deste mundo e receitem apenas coisinhas de marca. Mas fica-se com a ideia que o negócio já viu melhores dias. Vieram hoje para a imprensa acusar-se mutuamente.
Alguém que reúna o pessoal das respectivas ordens, associações do sector e administradores de laboratórios e lhes lembre que o ditado "zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades" ainda acaba por se lhes aplicar...
VITÓRIA 2
Há cada vez mais pessoas a afirmarem que consideram o treinador J. Mourinho um dos nossos maiores arrogantes (e a concorrência é dura...). Não concordo. Um homem que declara (a propósito da vitória sobre o Manchester) "temos que ter consciência de que reduzimos à vulgaridade um dos maiores clubes do mundo" é alguém que conhece o ditado "sic gloria transit".
Há cada vez mais pessoas a afirmarem que consideram o treinador J. Mourinho um dos nossos maiores arrogantes (e a concorrência é dura...). Não concordo. Um homem que declara (a propósito da vitória sobre o Manchester) "temos que ter consciência de que reduzimos à vulgaridade um dos maiores clubes do mundo" é alguém que conhece o ditado "sic gloria transit".
CINZAS
Acabou-se a folia. O Mário Crespo (na Sic Notícias) lá tentou atabalhoadamente lembrar que a padralhada acha que devemos esfregar a testa com cinza e esquecer os pecados da carne. Coitado, a coisa parecia não fazer muito sentido para ele. Para mim, também faz pouco. É que não conheço nenhum padre "vegetariano", mas acredito que exista...
Acabou-se a folia. O Mário Crespo (na Sic Notícias) lá tentou atabalhoadamente lembrar que a padralhada acha que devemos esfregar a testa com cinza e esquecer os pecados da carne. Coitado, a coisa parecia não fazer muito sentido para ele. Para mim, também faz pouco. É que não conheço nenhum padre "vegetariano", mas acredito que exista...
20 de fevereiro de 2004
TO SAY OR NOT TO... HINNNN HÃÃÃÃÃÃ
As afirmações do idiota que preside já não sei a que comissão para a adopção além de gerir de perto o destino de muitas crianças desprotegidas do Sul, causaram, naturalmente muita celeuma.
Diz a criatura que mais vale uma criança ficar eternamente enfiada numa instituição (como a veneranda Casa Pia, ou a Casa do Gaiato ou...) do que ser adoptada por um casal de homossexuais. Estes viciosos não tardariam a encher a criancinha de plumas ou de blusões de cabedal.
Claro que as declarações da pacóvia figura não merecem grande atenção. Reflectem o que muitos pensam e calam. Este ao menos fala, o que é bom já que permite saber onde está.
E neste caso, está no lugar errado.
As afirmações do idiota que preside já não sei a que comissão para a adopção além de gerir de perto o destino de muitas crianças desprotegidas do Sul, causaram, naturalmente muita celeuma.
Diz a criatura que mais vale uma criança ficar eternamente enfiada numa instituição (como a veneranda Casa Pia, ou a Casa do Gaiato ou...) do que ser adoptada por um casal de homossexuais. Estes viciosos não tardariam a encher a criancinha de plumas ou de blusões de cabedal.
Claro que as declarações da pacóvia figura não merecem grande atenção. Reflectem o que muitos pensam e calam. Este ao menos fala, o que é bom já que permite saber onde está.
E neste caso, está no lugar errado.
18 de fevereiro de 2004
MÚSICA PERTO DA kAPITAL
"A apresentação da obra integral de Chopin em cinco concertos é o grande destaque da programação da 39ª edição do Festival de Sintra que decorre de 18 a 31 de Julho".
Será desta que vamos ouvir o concerto para violinos? (vénia, sr-futuro-presidente, vénia sr-futuro-presidente...)...
"A apresentação da obra integral de Chopin em cinco concertos é o grande destaque da programação da 39ª edição do Festival de Sintra que decorre de 18 a 31 de Julho".
Será desta que vamos ouvir o concerto para violinos? (vénia, sr-futuro-presidente, vénia sr-futuro-presidente...)...
17 de fevereiro de 2004
PSEUDO-INTELECTUAL
Houve um tempo em que me irritavam as pessoas que eu agrupava pelo epíteto "pseudo-intelectuais". Era jovem e idiota, na altura. Achava que ser um Verdadeiro Intelectual era maravilhoso.
Não entendia que deve ser formidável citar Kafka hoje e coçar os tomates em público, amanhã...
Quem me dera tal ligeireza!
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Houve um tempo em que me irritavam as pessoas que eu agrupava pelo epíteto "pseudo-intelectuais". Era jovem e idiota, na altura. Achava que ser um Verdadeiro Intelectual era maravilhoso.
Não entendia que deve ser formidável citar Kafka hoje e coçar os tomates em público, amanhã...
Quem me dera tal ligeireza!
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15 de fevereiro de 2004
PAX IN DOMINICUS
A maioria conservadora, apoiada pela sempre aventurosa oposição, rejeitou a possibilidade de serem administrados a doentes terminais medicamentos que contivessem na sua composição cannabis. Invocaram, não os deuses, como deveriam, mas sim o facto de "não existirem suficientes estudos" sobre o interesse da medida. Se tudo correr bem, dentro de 10 anos voltarão atrás para se pronunciarem favoravelmente sobre a prescrição de drogas que possam diminuir as terríveis dores, vómitos e tonturas de pessoas que estão a chegar ao fim.
Se tudo correr bem, não se lembrarão deste seu acto à vista de um ente querido que parta em agonia, ou deles mesmos, consumidos por coisa ruím.
Se tudo correr bem, talvez me venham à cabeça outras palavras que não sejam "burrice" e "crueldade"...
A maioria conservadora, apoiada pela sempre aventurosa oposição, rejeitou a possibilidade de serem administrados a doentes terminais medicamentos que contivessem na sua composição cannabis. Invocaram, não os deuses, como deveriam, mas sim o facto de "não existirem suficientes estudos" sobre o interesse da medida. Se tudo correr bem, dentro de 10 anos voltarão atrás para se pronunciarem favoravelmente sobre a prescrição de drogas que possam diminuir as terríveis dores, vómitos e tonturas de pessoas que estão a chegar ao fim.
Se tudo correr bem, não se lembrarão deste seu acto à vista de um ente querido que parta em agonia, ou deles mesmos, consumidos por coisa ruím.
Se tudo correr bem, talvez me venham à cabeça outras palavras que não sejam "burrice" e "crueldade"...
PARABÉNS!
Acabo de ver que o filme de Fernando Matos Silva, acaba de ser apoiado com 650.000 euros, pelo júri do ICAM.
Como o seu último filme registou exactamente 243 (duzentos e quarenta e três) espectadores não será difícil bater o seu próprio recorde. Uma palavra de apreço ao júri que sabendo do desinteresse do público pelo trabalho do referido realizador não hesitou em insisitir.
São decisões como esta que fazem crer que o cinema português está no bom caminho.
Acabo de ver que o filme de Fernando Matos Silva, acaba de ser apoiado com 650.000 euros, pelo júri do ICAM.
Como o seu último filme registou exactamente 243 (duzentos e quarenta e três) espectadores não será difícil bater o seu próprio recorde. Uma palavra de apreço ao júri que sabendo do desinteresse do público pelo trabalho do referido realizador não hesitou em insisitir.
São decisões como esta que fazem crer que o cinema português está no bom caminho.
NO CAFÉ
Hoje, uma professora primária (simpática, de resto) dizia-me que também lhe apetecia escrever um livro. Que "afinal, a área dela não era assim tão distante do acto de escrever". Sugeri-lhe que se sentasse e escrevesse. Não fui capaz de lhe dizer que escrever é não saber nada.
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Hoje, uma professora primária (simpática, de resto) dizia-me que também lhe apetecia escrever um livro. Que "afinal, a área dela não era assim tão distante do acto de escrever". Sugeri-lhe que se sentasse e escrevesse. Não fui capaz de lhe dizer que escrever é não saber nada.
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13 de fevereiro de 2004
TO POST OR NOT TO POST
É sempre um mistério o que interessa comentar. Política e sexo, há sempre quem opine. Literatura (pelo lado de dizer mal) também há regularmente quem se chegue à frente. Mas quando se fala de violência doméstica ou de propostas mais concretas para o país em que vivemos, apenas o silêncio responde.
Que posso acrescentar. É o país que merecemos.
É sempre um mistério o que interessa comentar. Política e sexo, há sempre quem opine. Literatura (pelo lado de dizer mal) também há regularmente quem se chegue à frente. Mas quando se fala de violência doméstica ou de propostas mais concretas para o país em que vivemos, apenas o silêncio responde.
Que posso acrescentar. É o país que merecemos.
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